08/11/2011

Percebi bem?

"As dificuldades sentidas com a greve serão diárias sem reforma"


Esta afirmação, proferida pelo Secretário de Estado dos Transportes, não subentende que este senhor é contra o direito à greve? Vamos por pontos. O sentido desta frase não vai para uma melhoria de uma qualidade do serviço dos transportes após uma reforma no sector dos Transportes, o que, aliás, é de todo impossível tendo em conta a política que se seguirá. A questão está na inclusão da palavra "greve", a qual, nas palavras do senhor secretário de Estado, causaram dificuldades, deduzindo-se de mobilidade... (Curiosa afirmação para quem pretende encerrar estações, itinerários, horários, etc.) Mesmo que, de forma categórica, o mesmo nunca admitisse que é a favor da greve, e de certo que se refugiando na tónica de que a greve é um direito para procurar dar uma imagem superior de democrata, é certo e sabido que o Secretário de Estado é contra greves, que ideologicamente elas lhe causam pavor. No entanto, o mais grave está na afirmação em cima citada, na qual o Secretário dá a entender que o objectivo - entenda-se, uma privatização - fará com que os trabalhadores, mesmo que na Constituição tenham direito à greve, na prática sejam quase proibidos de o fazer tendo em conta a ameaça que receberiam por parte do patronato, agravadas em condições de crise. É notório que este governo já desistiu do país, e muito provavelmente está impregnado duma atitude revanchista apostado em fazer, como já muitos afirmaram, um "PREC de direita". 


Adenda: Está, igualmente subjacente, a lógica de dividir para reinar. Opor utentes dos transportes públicos - sejam eles trabalhadores, reformados, estudantes, etc - contra os trabalhadores dos transportes, os "culpados" a apontar pela incómodo de um dia sem transportes. É bom não esquecer o incómodo que é ver-se confrontado com perspectivas do teor corte de salários, direitos, despedimentos,...

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