25/02/2012

Entre o PCP e o Papa...

não há nada que os distinga!


Papa defende que matrimónio heterossexual é único "digno" para procriar

Só alguns apontamentos, pois sem vontade para mais...

"No momento das intervenções, apenas as bancadas do PCP e do CDS anunciaram que votariam contra os diplomas." - o PCP é, sem a menor dúvida, um partido ultra-conservador e quase reaccionário no campo social - já para não falar no reformismo no plano económico e pelo centralismo autoritário na esfera democrática -, algo que se denote particularmente pelas alianças que, conscientemente ou inconscientemente, vai fazendo. Ainda se pode considerar o PC um partido de esquerda?


"Telmo Correia, deputado do CDS, explicou que o sentido de voto da sua bancada revela que os centristas não enveredam por “experimentalismos sociais”, notando que a adopção por casais do mesmo sexo “contraria o criador”" - Até diria alguma coisa, mas isso seria tentar dialogar com que não o quer fazer.


Daqui.

23/02/2012

Então é assim!

O pessoal fecha os olhos, pede com "muita-muita" força, e, se se portar bem, arranja qualquer coizita. Não esquecer de agradecer ao chefe!

Líder da JSD diz que combate ao desemprego é “questão de fé”

14/02/2012

"Mais um triste episódio dos funcionários da CGTP"

"Não é descabido que eu tenha ficado tão indignada ao presenciar a cena de um funcionário da CGTP ter-se dado ao trabalho de subir a uma estátua para coagir um manifestante a retirar o seu cartaz por este dizer claramente «Sindicalismo revolucionário, já. A las barricadas!». Se o cartaz desfilou por toda a manifestação e não houve um único trabalhador que o viesse questionar (o que também pode não ser bom sintoma!), se havia tantos outros cartazes anti-ACTA pendurados na estátua, por que teria sido este cartaz o pomo da discórdia? Por questionar a eficácia de sucessivas manifestações participadas mas inconsequentes porque não seguidas por uma acuidade de acção sindical que mais do que nunca se exige verdadeiramente revolucionária? Por estar para botar discurso o novo secretário geral e se querer mostrar serviço? Por persistirem os tiques do autoritarismo e do monopolização da luta? Como me disse uma manifestante manifestamente indignada  “Indignados? Indignados de Lisboa? Indignados estamos nós todos não podem falar em meu nome” - a quem respondi que ninguém tem o monopólio da luta, que por se ser do partido comunista português como ela isso também não a torna dona comunismo, nem dona da liberdade de entregarmos papéis na rua. Que também temos estado a fazer trabalho na mesma luta pelos transportes públicos. Que somos um grupo de trabalho e que temos todo o direito de estar ali a distribuir os nossos papéis - que toda a gente mostrou querer conhecer; que temos todo o direito a afixar nas praças os nossos cartazes e as nossas frases e ninguém se lembra que também os vossos cartazes por todo o lado, as vossas bandeiras e palavras de ordem repetidas há 30 anos - «CGTP unidade sindical» - que as vossas atitudes de controleiros, autoritárias, de delação até, já nos feriram e já nos cansam de tanta ineficácia e mesmo assim nós nunca  tiramos os vossos cartazes.

A cena do cartaz foi lamentável e muito me custa que na CGTP continuem a acontecer este tipo de coisas que impedem qualquer vislumbre de mudança. Não há mudança. Apenas saiu um secretário geral e entrou outro. A orientação é a mesma… no dia das barricadas vamos a ver de que lado se põem! Se formos a pensar na conversa em relação ao que se passou ontem na Grécia…

Só pergunto: o que diz este cartaz que para a CGTP é tabu? Querer e acreditar na possibilidade de existir sindicatos revolucionários é uma coisa assim tão ofensiva para os dirigentes da CGTP Porque que eu saiba a CGTP são os sindicatos dos trabalhadores e como tal devem representar a vontade dos trabalhadores, depois de os ouvir. Vão perguntar aos trabalhadores se querem um sindicato revolucionário e tragam a resposta.

Os manifestantes pelo contrário parecem estar ávidos de informação, que alguém lhes diga o que fazer, como agir, não se contentam só com cartazes e bandeiras. Mas nós, os das assembleias populares, indignados, não temos essa ambição. Preferimos que sejam as pessoas a nos dizer o que querem e até onde estão dispostas a ir para defender os seus direitos e para se empenharem na realização de uma verdadeira mudança que se possa reflectir na qualidade da democracia.  Não há receitas milagrosas se não forem as pessoas a agir.

Enquanto por todo o lado se repetirem ordens, despachos e decretos de cima para baixo isto simplesmente não é uma democracia verdadeira, uma democracia verdadeira é serem as pessoas a decidir como funciona melhor aquilo em que elas trabalham e como o possibilitar. São elas as sabedoras do seu ofício, não são uns senhores dos gabinetes a dizerem em que é que temos que cortar e como é que o temos que fazer; não são os burocratas dos sindicatos que sabem o que as pessoas sentem na pele. Continuo a não ver os desempregados a engrossar as fileiras da CGTP; continuo a não ver uma batalha firme contra os despedimentos; os trabalhadores continuam a perder direitos e a CGTP, apesar de ter mais uma vez abandonado a concertação social, e continuar a pedir aumentos salariais, não agudizou a luta… as medidas de austeridade não se podem combater só com a organização de manifestações, por muito grandes que elas sejam. Existem outras formas de luta que a própria constituição prevê, como a acção popular. Tenho por princípio distinguir as organizações de trabalhadores, dos dirigentes sindicais e das forças de segurança da CGTP. Sou uma entusiasta da existência de sindicatos, que facilitem as pessoas se poderem reunir nos seus postos de trabalho e se organizar; e não me choca que os trabalhadores mandatem quem possa representar da melhor forma as suas decisões. Mas o modo como os sindicatos que temos se organizam, de cima para baixo, como tudo o que é institucional é mais um forte contributo para as falhas da democracia. Tristemente há pessoas que já não acreditam nos sindicatos. Mas eles diferentes são possíveis, se forem verdadeiramente revolucionários e derem o exemplo de uma boa prática democrática que saiba ouvir o que as pessoas têm para dizer e que procurem executar a vontade popular. E é bom que alguém acredite nessa possibilidade, principalmente se ainda está a tempo de os ajudar a construir.

Procurou-se mais uma vez abafar a liberdade de expressão numa manifestação da CGTP, como se aquele cartaz fosse mais ofensivo que o discurso do governo da Troika. Por isso e porque presenciei a cena e a fotografei, não me posso calar. Em liberdade não há nada que não se possa discutir. Retirar um cartaz só por ele falar na possibilidade de um sindicalismo revolucionário foi e continua a ser um acto de repressão e de autoritarismo puro e duro. Quando apareceu o outro sujeito careca de óculos escuros só me ocorreu que estivesse ali a extrema direita infiltrada, mas não, se bem que chegaram a haver rumores de que por ali andavam… este se não era podia muito bem ser. Ou isso ou um autómato que quando eu lhe disse que A RUA É NOSSA, perguntou em resposta A RUA É NOSSA? E ficou a repetir sem argumentos: a rua é nossa? A rua é nossa? A rua é nossa? Entretanto chegou uma mulher que aparentava ser polícia, fosse lá de que polícia fosse… e nós virámos costas porque não gostamos de agentes à paisana… mas depois apareceu um manda-chuva a reter o Francisco e quando ele se livrou dele o clima amainou e ficou por ali.

Ao passarmos pela multidão a caminho do protesto anti-ACTA, ainda se ouviram  vozes como aquelas máscaras a passar serem os piratas da net… ou uma velhinha a achar que era um desfile de Carnaval. Quando e como conseguiremos que as nossas informações e mensagens cheguem às pessoas que se vêm manifestar em procissão e partem de mãos vazias?"

Um excelente texto encontrado aqui, através da página "Democracia Verdadeira, Já!", e que em relação ao qual, infelizmente, já não há mais nada a acrescentar em relação ao que a CGTP nos vem habituando...

11/02/2012

Alain Badiou

"Justamente, o valor do grátis é que não tem valor no sentido das trocas. O seu valor é intrínseco. E como não se pode distinguir a ideia do preço do objeto a única existência da ideia está em um tipo de fidelidade existencial e vital para a ideia. A melhor metáfora para isso é encontrada no amor. Se queremos profundamente a alguém, esse amor não tem preço. É preciso aceitar os sofrimentos, as dificuldades, o facto de que sempre há uma tensão entre o que desejamos imediatamente e a resposta do outro. É preciso atravessar tudo isso."

Numa entrevista que pode ser encontrada no site Esquerda.Net

08/02/2012

Espaço Comum - o exemplo da ES.COL.A da Fontinha

"The question of what kind of city we want cannot be divorced from that of what kind of social ties, relationship to nature, lifestyles, technologies and aesthetic values we desire. The right to the city is far more than the individual liberty to access urban resources: it is a right to change ourselves by changing the city. It is, moreover, a common rather than an individual right since this transformation inevitably depends upon the exercise of a collective power to reshape the processes of urbanization. The freedom to make and remake our cities and ourselves is, I want to argue, one of the most precious yet most neglected of our human rights." - David Harvey in "The Right to the City"

Um espaço anteriormente degradado e desocupado, ocupado e apropriado por um grupo de pessoas com o apoio e participação da comunidade local, corre o risco de voltar a ser fechado. Este é um espaço onde se realizam variadas actividades associadas aos mais diversos temas, como sejam o Cinema, um grupo de Teatro, apoio escolar às crianças do bairro, uma biblioteca, actividades relacionadas com agricultura biológica, etc. 
Tudo isto de forma gratuita, funcionando com o empenho de quem se envolve neste projecto aberto à participação e colaboração de todos. Acima de tudo, onde se fomenta um espírito de entre-ajuda e solidariedade, aliados a princípios inabaláveis de respeito à liberdade, algo bem condizente com a cultura libertária que o acompanha. 
"Percebe-se"... no actual contexto, em que o que é bom é o cada um por si, a mais férrea competição e o espírito de medo para andar tudo caladinho..., que um espaço destes, autogestionado e funcionando num espírito de assembleia popular onde todos têm opinião e decidem, não seja realmente o melhor dos "exemplos" que as pessoas da Câmara do Porto e as ideias e interesses a elas veiculados queiram deixar passar.
É bom que nos lembramos bem quando ouvimos ao "apelo" ao voluntariado, e ao papel das Misericórdias. Só "interessa" se for para ganhar um lugar no céu, e para isso é preciso que existam pobres para dar uma esmolinha e parecer bem à sociedade. O trabalho gratuito só é bom se for para dar lucro a alguém, pois a isso chama-se ganhar experiência, currículo e ter um bom papel na sociedade... Só é bom se for para tentar criar dependências, isto quando se consegue "evangelizar" alguém ou conseguir mais uns votos. 
Se, por algum motivo, aparecem situações em que um grupo de pessoas se conseguem juntar e por si, através de uma gestão colectiva e auto-ajuda, se liberta do sistema capitalista e da ordem vigente, é "necessário" parar com isso... não vá mais alguém abrir os olhos e tirar os ociosos do poder.



Ainda numa de pieguices


Encontrado no Facebook

07/02/2012

De um "peigas"

Seguindo a indicação de PPC, estou a tentar deixar de ser "piegas", significado novo para pessoal que deve andar para a falar de não-se-sabe-bem-o-quê-e-que-não-interessa. Vou por passos, e a fazer brincadeiras com o nome, isto para dizer que ainda não consegui desligar-me duma certa inclinação francesa no que diz respeito à cultura, em especial o cinema - nota de rodapé, este "Les Amants Réguliers" é o meu favorito, tenho de admitir. De vez em quando, também gosto de cantorias em linguagem francófona. Mas, atenção, nem todo é mau: esta aqui fala de anarquistas e gosto à brava. Prometo que vai aos poucos.





06/02/2012

François Truffaut

O Doodle de hoje do Google é uma homenagem a François Truffaut, um dos percursores do movimento que ficaria conhecido como Nouvelle Vague. Entre outros, o filme que mais facilmente lhe associo e gostei na sua obra é Jules et Jim. Deixo aqui um vídeo, aquando do festival de Cannes de 1968, onde Truffaut e outros directores - entre os quais Godard _ se associam ao que estavam a acontecer no momento e decidem cancelar o festival. Como podem ver, Truffaut é um dos mais empenhados.


Das "gerações"


Aqui está uma bela resposta a mais um "menino" acabadinho de sair da Jôtinha Laranja, o qual deve estar convencido de ter um papel divino na defesa dos jovens contra "os outros", sejam estes o que forem para o dito senhor. O tal, que pelo que me dá a entender até dispõe de bom imprensa e alguma notoriedade - afinal, ele não chegaria a chefe do recreio sem "conhecidos", ora essa -, já me vêm chateando há uns tempos, seja em aparições televisões seja nuns rabiscos que vai fazendo no I, seja em outros assuntos de ocasião - como numa crítica à própria Ana Drago, por esta ter tido o desplante de pedir um carro para uma deslocação relativa ao exercício das suas funções, essa "pequeno-burguesa" que pelo que soube nem carta têm, algo que decerto não deve estar na imaginação do betinho que, decerto, já a tinha aos 18 anos, pagadinha pelo papá e com direito a popó para passear as futuras aspirantes a tias.

Encontrado aqui.

03/02/2012

Beijaços a metro



"Flash mob na estação da Baixa-Chiado, em protesto contra a recusa da publicidade duma rede social gay por parte do Metropolitano de Lisboa."

Lusofonia como actualização luso-tropicalista

Concordo que as línguas são construcções culturais e histórico-sociais que se desenvolvem num certo espaço, em geral no que se designa um Estado-Nação, ainda que dentro deste também existem diferenças internas, em especial ao nível fonético. Também por isso não vejo interesse no acordo, já que se trata de uma imposição política contra a própria natureza desta evolução, e mesmo eu continuo a usar muito do antigo Acordo, o tal de 90. Na história, já se verificaram alterações linguísticas radicais com base em decisões políticas, sendo a Turquia um belo exemplo. No entanto, tal não pode ser justificação para esta deriva estalinista de Vasco Graça Moura, a qual demonstre a revanche do que ele considera ser uma traição da "populaça" contra o "seu" imaginado Portugal no qual vagueia, seja ao nível de elites seja ao nível do seu profundo conhecimento da "sua" língua. Para além disso, é uma "derrota" do seu Portugal Imperial e expansivo, primeiro entre os "descobridores", face aos outros, os colonizados, os que deviam era agradecer a "sorte" que tiveram. Por isso, no seu "reino" desde há uns dias, o CCB, a "pátria" é vingada e aí do servo que não cumpra as ordens.

02/02/2012


Esta coisa dos direitos é uma maçada. O pessoal de cima chateia-se, manda bitaites a dizer que são caros e vai não vai o melhor mesmo era despachá-los a todos, ainda que não para todos clara está pois o pessoal ainda não endoideceu de vez, e acabava-se de vez com a brincadeira, ao mesmo tempo aproveitava-se e já não andava para aí pessoal a dizer coisas que decerto só querendo para eles e-não-sei-que-mais pois é tudo o mesmo e sabe-se o que a casa gasta - ainda que isto do gastar também seja relativo e há os que gastam em diferentes escalas sem saber bem porquê, mas não falemos disso agora... 
Esta coisa da democracia é uma chatice, é sim senhora. Afinal de contas, pensemos bem, onde já se viu?, protestarem por estarem a ser roubados, o que havia de ser era um bastão na carola desses tipos todos a ver se não apreendiam, e aos mais aguerridos logo para um campozito de férias qualquer num sítio agradável, tipo o que era o Tarrafal ou algo do género, dizem que para esses lados havia um calorzito porreiro. E depois a chatice que isto não é, esta coisa das greves, ainda por cima nos transportes, o pessoal a querer movimentar-se e não pode, e diz ainda que iam trabalhar e não podem e para o patrão é mau, e não só para ele pois tamos em crise e isto não ajuda, talvez o melhor mesmo é por-se a andar tudo como o administrador do protectorado diz e ir procurar sedes para a Holanda e por aí. 
Esta coisa de haver para aí pessoal aborrecido e que não lida bem com a coisa não é coisa que nos devamos preocupar, mesmo que acabem a dormir à porta de bancos sem se ter nada lá dentro. Afinal cada um sabe de si e o que é de homem é aguentar e aguentar, ter fé que tudo se resolva e pode ser que isto não vá tudo abaixo. No fundo, bom bom era uma greve que não chateasse ninguém e tal, assim algo do género falem para aí que a gente não quer saber, os outros que se lixem e isso de quem vem à frente e dos que se seguem é só cantigas.

P.S: Amanhã, aqui pela Capital, aproveitar o dia para os meus devaneios psicogeográficos, na linha de Debord.